Trabalhando a culpa
O paciente de Alzheimer, na maioria das vezes vive bastante tempo e monopoliza seus cuidadores em geral. Somos sacrificados em nossos afazeres, adiando-os, modificando horários e até mesmo deixando-os de lado; isso acontece, não por culpa do paciente, mas porque temos que estar atentos 24 horas por dia.
Além disso, em quantos momentos nos questionamos se estamos agindo certo ou não, se aquele médico está atendendo bem o nosso idoso, se a clínica está tratando-o bem. E as nossas culpas, como nos apavoram, ao longo dessa interminável doença misteriosa! Pouco a pouco, vamos nos esquecendo de nós mesmos, embora nos esforcemos ao máximo. O cansaço e a tristeza, de nós se apoderam.
Vamos assim, dia após dia, vivendo a doença junto com nosso vovô como se pudéssemos estar no lugar dele, movidos por uma pena madrasta, de que nada adianta. Vamos nos sentindo insubstituíveis, sem que ninguém nos tenha dado este lugar; vamos nos punindo, mesmo sabendo que o paciente não nos acusou de nada, pois, está desligado totalmente do nosso mundo cá fora. Se estivesse consciente, com certeza diria que não ficássemos ali a sua volta e que fôssemos cuidar da nossa vida.
Assim, vamos nos apegando não àquela pessoa, mas ao espectro daquela pessoa, do que dela restou. Então nos julgamos mais úteis do que somos realmente, e o centro de nossas atividades concentra-se ali; involuímos e pensamos o que será de nós, quando da partida daquele ser. Como iremos voltar à nossa vida. Como vamos viver sem termos que cuidar de alguém?
O cuidador deve procurar sempre uma orientação junto às associações que tratam do assunto, e não ficar contando suas dificuldades para amigos ou outros familiares que desconhecemos o tema. Este tipo de ajuda, só serve muitas vezes, para piorar o problema e ainda deixa a outra pessoa preocupada.
Caso o cuidador não possa frequentar as reuniões destas instituições, deve procurar um terapeuta especializado no assunto, para dar o suporte necessário.
Portanto, procure organizar seus compromissos, seu lazer, sua convivência com pessoas positivas, para que tenha calma e paciência para cuidar daquele que precisa da sua ajuda.
Lembre-se: Você não está sozinho!
Norma Quintella
05/10/2007