O grupo de cuidadores e sua importância
Como é do conhecimento de todos o Mal de Alzheimer é uma doença progressiva e degenerativa, que ao longo do tempo deixa o paciente sem noção de todos os seus atos. Sua vida transforma-se, tornando-o dependente do cuidador, seja este profissional ou familiar.
É muito comum a negação da doença pelos familiares, e, a eleição de um líder que tome todas as decisões e esteja sempre à frente de tudo. Porém, o cuidador vai ficando confuso, sem saber que atitude tomar, procurando uma explicação para lidar com o problema.
Se você, cuidador, encontra-se desanimado, sem saber o que fazer aconselhamos que procure um Grupo de Cuidadores que costuma se reunir uma vez por semana ou a cada 15 dias. Aí está um espaço, onde outras pessoas que se encontram na mesma situação, vão trocar experiências e informações de como lidar com o seu familiar ou cliente.
O importante é que cada participante conte como está o paciente, naquele momento, quais são os seus estereótipos, como a família e amigos reagem, e, o principal, como ele cuidador se sente em lidar com esta ou aquela reação. Para exemplificar relatamos o caso clínico seguinte:
A cuidadora "A",esposa de um paciente de Mal de Alzheimer, ao invés de procurar um grupo de ajuda,f oi por outros caminhos e seu marido piorou de maneira assustadora. Primeiramente resolveu mudar o local de sua residência, pensando que sendo vizinha do cunhado, cunhada, filhos e netos destes, iria ter ajuda. Qual não foi a sua surpresa, quando todos negaram a doença e o cunhado passou a detestar o médico que deu o diagnóstico; chegou ao absurdo de incentivar o paciente a renovar sua carteira de motorista, para que assim ficasse mais animado.
Entrou em desespero, procurou ajuda com uma Psicóloga amiga que a aconselhou a procurar um grupo de ajuda, colocar um cuidador profissional e uma empregada doméstica para fazer pelo menos a comida. O paciente além de piorar da doença, também piorou de outros males como pressão alta, porque comiam tudo o que era desaconselhado pelo médico assistente. A esposa, nas horas vagas, ficava ao telefone até altas horas repetindo sempre a mesma história do seu passado.
Após muitas pioras do marido, decidiu frequentar um dos grupos de associações de sua cidade, onde finalmente, encontrou apoio para ela e o marido. Identificou-se com outras pessoas quando falavam que seu paciente esquecia o nome da filha, ficava extremamente agressivo, acordava falando palavras desconexas, tirava a roupa, etc.
"A" sentiu-se ambientada, e, quando repetia as mesmas histórias começou a ser chamada à atenção pelo grupo. Ao mencionar o absurdo do seu marido voltar a dirigir foi aconselhada a ir aos poucos convencendo-o a vender o carro; ao tocar no assunto que almoçava na rua diariamente e que estava exausta porque não aguentava mais lavar o piso da varanda, grupo mostrou que tinha condições de colocar uma empregada, tendo mais tempo livre para o marido. Ao mencionar o fato de "desabafar"com as amigas, diariamente, ao telefone foi instada a procurar uma terapia e um neurologista para medicá-la.
O marido de "A" continuou piorando do Mal de Alzheimer, mas foi se conformando, já que é uma doença progressiva. Passou a frequentar as reuniões, está mais alegre, menos ansiosa e cansada. Medicada por um neurologista e assistida por uma psicóloga. Sente-se mais forte, tendo uma ajuda parcial de uma antiga empregada que faz a comida do casal e a limpeza pesada.
Portanto, cuidador, não tenha dúvida em procurar um grupo de apoio. Lembre-se que você é muito importante para si próprio e para o seu paciente.
Norma Quintella
20/07/2009