Efeito "crepúsculo"

Dona I, paciente de DA, com 84 anos, ficava muito agitada depois das 17 horas até meia noite, sendo impossível controlá-la. Andava de lá para cá, tirando as roupas, dizendo: "Ajudem-me, eu quero morrer", ou então: "Me leve para casa".

Depois de escurecer era pior, pois tirava toda a roupa do armário, colocando-a em uma sacola para voltar para sua casa.

A situação agravava-se de tal maneira, que a paciente impedia que as enfermeiras fizessem o relatório do dia. Assim que era posta para dormir, levantava-se, vestia-se e dizia que estava na hora de mandar as crianças para a escola.

O que acontece é que pessoas com confusão aguda ou crônica, ficam piores no fim da tarde,principalmente, depois que escurece. Os períodos de atenção e concentração tornam-se ainda mais limitados e alguns pacientes acham estar vendo nas sombras, homens que querem machucá-los, e, outros acham que qualquer barulho é um bebê chorando e precisam tomar conta dele.

Este fenômeno é denominado efeito crepúsculo, que pode estar relacionado com o cansaço do paciente,mesmo que tenha realizado o mínimo de suas atividades. À noite é mais silenciosa, quando os barulhos da rotina diurna não são ouvidos; estes ruídos são uma fonte de segurança para os pacientes com DA que dormem, muitas vezes melhor durante o dia, recostados em poltronas e perto dos cuidadores.

Além disso, o paciente pode estar com fome, com a roupa molhada ou apertada, e, com alguma inquietude . Alguns,fazem regressão à infância, sentindo medo do escuro,pedindo para voltar para casa, ou encontrar sua mãe. 

Para minimizar esta situação, primeiramente, é necessário levar os sintomas ao conhecimento do médico assistente e ter estratégias com o paciente, com o ambiente e com a família (no caso do paciente ter um cuidador profissional).

Estratégias com o paciente 

Se o paciente tem atividades pela manhã, faça com que ele repouse à tardinha, restaurando-lhe o equilíbrio.

Não restrinja os seus movimentos. Deixe-o andar em um espaço que possa ser controlado. Se quiser andar ao ar livre, ofereça-lhe para fazer companhia e procure entender suas divagações, aceitando-as, mesmo que não sejam verdadeiras.

Não discuta com ele a respeito das coisas que diz como: ”quero morrer”,"me dá amor”,"quero voltar para a minha casa, esta não é a minha casa". Provavelmente são frases que ficaram em sua memória, que ele não pode deixar de repetir. Procure distraí-lo com uma revista, ou uma cena na televisão.

Ponha alguma coisa em suas mãos para evitar que tente rasgar a roupa, como algum objeto que ainda o interesse, leve-o para passear em um lugar que goste (um shopping por exemplo), se ainda for possível.

Estratégias com a família

Peça aos familiares e amigos que façam visitas mais cedo, e não ao final da tarde. Pequenas reuniões são preferíveis às grandes que deixarão o paciente mais agitado.

Explique-lhes que é comum o paciente repetir sempre as mesmas perguntas, e, muitas vezes, dizer que não o vê há muito tempo, ou até mesmo não vir a reconhecê-lo.

Diga-lhes:"Sua mãe fica sempre mais satisfeita quando vêem visitá-lo nessa hora, e, gosta muito de ter vocês perto dele."

Estratégias com o ambiente

Em pacientes com a síndrome do crepúsculo,evite luzes fortes,sons e conversas altas.

Evite banhos ou quaisquer procedimentos de enfermagem nesse horário.

Alguns pacientes se acalmam com leite morno,ou com luzes amortecidas, massagens nas costas.Se ele não consegue dormir,não o force,mas,coloque uma música suave até que ele se acalme.