Decisões difíceis
No tratamento da doença de Alzheimer, para muitas famílias não é fácil a decisão sobre a maneira de como se vai cuidar do idoso. Assim, propomos três questões fundamentais, que concorrem em decisões difíceis:
Quem vai cuidar?
A escolha do familiar/cuidador é, na maioria das vezes, natural e espontânea. Não é bem assim! Nota-se que, geralmente, a escolha recai sobre a esposa ou esposo (se os tiver), depois sobre a filha, a irmã, a enteada, a sobrinha... Observa-se que as mulheres, principalmente, se já moram na casa do idoso, são as mais escolhidas e solicitadas. Muitas vezes, o familiar/cuidador se oferece e assume o papel de cuidar, sendo, sem dúvida, a melhor pessoa para tal tarefa.
Porém, a estrutura familiar brasileira, seguindo a tendência mundial, está se alterando dramaticamente, de uma família numerosa para o que chamamos de família nuclear - pai, mãe e um ou dois filhos. Como cuidar melhor do pai ou da mãe com Alzheimer? Será melhor levá-los para dentro de suas casas, sob pena de ver a estrutura de sua família ser penalizada? Contratar um cuidador profissional 24 horas por dia? Será que a família tem condições financeiras?
E quando a família for numerosa: por que a filha solteira, viúva ou divorciada tem que cuidar dos pais? Tem que morar com eles? Soa como obrigatório?Afetados pela doença e pelo grande trabalho que acarreta,os familiares se furtam em cooperar, apresentando as ais variadas desculpas. Assim, a filha, a irmã, a esposa, a sobrinha enteada que assume o papel de cuidador passsa a aceitar como uma imposição, como uma missão intransferível. Este familiar, com isto, para de viver sua própria vida, de ter suas próprias vontades e de ter seu descanso e lazer. fica mais cansado e estressado, adoecendo, por fim, junto com o idoso. Não é justo, que os outros familiares não ajudem!
Com quem vai ficar?
Semelhante à pergunta anterior, no entanto é aí que reside o verdadeiro destino do idoso com demência e o futuro de um cuidado de qualidade e efetivo. Se tiver condições financeiras para tal, permanecendo o idoso em sua própria casa, com cuidadores familiares ou profissionais, com supervisão 24 horas por dia, ótimo!
A casa do idoso reúne vários pontos de referência de toda uma vida. Seu quarto, sua cama, seus quadros, seu banheiro, sua mesa de refeições, sua janela, seu cheiro do lar: a sua casa! A segurança e a tranqüilidade de reconhecer como seus, a sua casa, é um dos melhores tranqüilizantes que o idoso pode ter.
Se optar em levar para a casa de algum filho ou parente, e se desfazer da casa, pode ser que ocorra algum problema de ajustamento do idoso, em seu novo lar. Ali não haverá muitos pontos de referência, para a sua melhor orientação, piorando assim o seu estado geral e alimentando uma piora da confusão mental.
Se os familiares não tiverem outra opção, neste caso o ideal é fazer uma transição mais calma e lenta possível, tentando adaptar o novo ambiente com algo parecido com a antiga casa: o quarto mais parecido possível, os mesmos móveis talvez. Sabe-se que é difícil, mas ajuda muito. A nova família deverá estar a par de todos os problemas que poderão enfrentar coma presença do idoso, e entender a sua difícil adaptação imposta pelas circunstâncias.
Calma e muita paciência ajudam sempre. Deve-se explicar às crianças e adolescentes o porquê da decisão de trazê-lo, mostrando o lado afetivo, familiar e humanitário deste gesto.
Todos devem ajudar de alguma forma.
Institucionalizar ou não? Quando?
"Colocar meu pai ou minha mãe no asilo? Nunca!"
Esta frase (quase uma bravata!) já foi ouvida em diversas rodas de bate-papo, quando, por algum motivo, o assunto era sobre pais de amigos e conhecidos que iam para uma casa de repouso.
Quando o familiar/cuidador, que lida diretamente com o idoso, está em condição precária, estressado, não agüentando mais a pressão a que está exposto, pede um "tempo" para descansar e repor energias, talvez seja um momento necessário para a possível institucionalização. Institucionalização significa levar o idoso para uma casa de repouso.
Há casos em que o idoso é muito agitado e agressivo, onde os medicamentos pouco resolvem. A família, por melhor que seja, não consegue mais manter o padrão de cuidado, e todos se encontram em condições ruins. O que fazer?
O que se coloca de fato é o seguinte: onde o idoso, devido às condições do momento, ficará melhor? Em sua casa ou na casa de um familiar, com o cuidador em más condições ou em uma casa de repouso preparada e treinada para recebê-lo? Uma difícil decisão!
fonte: adaptado do site Abraz - Juiz de Fora